A PRODUÇÃO DE ANTÍDOTO CONTRA O VENENO DA COBRA E A SEGURANÇA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO

violência no Rio

Imagens do Google

Por Jaime Fusco*

O Brasil é o país que tem a maior população de cobras do mundo. Com isso, há, também, muitos estudos e diversos procedimentos de extração de soro venenoso para a produção de antídoto (o soro antiofídico). São necessários muitos profissionais, trabalhando oito horas diariamente, durante cinco dias por semana, para produzir antídoto para picadas em quantidade suficiente.

Na hora da extração, é preciso manusear a serpente venenosa com cuidado, pois o risco de ser picado é maior. Antes de ter seu veneno retirado, a cobra é colocada em um recipiente com gás carbônico durante cinco minutos. Lá, acaba adormecendo. O efeito sonífero permanece por dois minutos, tempo suficiente para a extração. Porém, a cobra pode acordar antes do tempo determinado.

Para o procedimento, são necessários dois responsáveis: um pressiona cabeça da serpente (local onde está a glândula de veneno) enquanto outro segure o corpo da cobra. Posteriormente, o líquido “venenoso” é encaminhado para uma sala de processamento e passará por uma centrífuga, onde as impurezas (muco, células de sangue, etc.) serão removidas. Em seguida, o veneno é pipetado em frasco e levado para um refrigerador, onde ficará a uma temperatura de 20°C negativos. A substância, então, é transformada em vacina e encaminhada para uma fazenda, onde será injetada em um cavalo, para a criação de anticorpos (que resultarão no antídoto). Ao contrário do que se pensa, especialistas afirmam que tal procedimento não envenena o cavalo contaminado. Após ter o veneno já processado injetado na sua veia, o cavalo passa por um exame de sangue. Em seguida, será separado o plasma (parte líquida do sangue) do animal. Esse plasma será enviado para a capital paulista, purificado e transformado, finalmente, em soro antiofídico (o antídoto contra picada de serpentes peçonhentas) In:  http://entretenimento.r7.com/bichos/noticias/veja-como-e-feito-soro-contra-veneno-de-cobra-20110510.html?question=0

Vocês já pararam para analisar que não existem radicais terroristas na Itália? Sabem o motivo? Recentemente, em uma viagem à Itália, acompanhei um ato terrorista na França. Questionei a um grupo de amigos  sobre a possibilidade de ocorrer um atentado semelhante ali na Itália, onde estava naquele momento. Uma das pessoas presentes na reunião, experiente militar de alta patente, respondeu  de forma simples e objetiva: “existe um acordo das autoridades com o crime e quem controla eventuais terroristas na Itália é a máfia italiana”. Considerando que toda vez que “focos” de terror eram “plantados” na Itália o controle dos “predadores” era feito de forma imediata, não abrindo espaço para radicais terroristas. Nossa conversa avançou e ele me questionou o motivo pelo qual a violência no Rio de Janeiro estar sem controle. Eu, de forma contida, pensei: “o estado não reconhece  que  o crime só respeita o crime”.

A analogia com o antídoto para o veneno da cobra e a segurança publica no Rio é simples: onde estão as “cobras do crime” no Rio  de Janeiro? No laboratório conhecido como DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional). Quem terá coragem de extrair o “veneno” das “cobras” enquanto elas estão em laboratório? Seria falta de coragem das autoridades? Seria falta de diálogo para definitivamente acabarmos com as invasões, mortes, balas perdidas, cenas de guerra, policiais mortos e acuados em suas viaturas, geralmente usados como cobaias de um projeto falido de combate à força do tráfico?

Faz-se necessário reconhecer a falência da política de segurança. E aqui não vamos entrar no mérito da  competência,  decência e capacidade técnica das pessoas que desempenham tal papel. A proposta é  urgente e necessária: abrir uma discussão  com a sociedade sobre segurança publica, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro. Que como diria Zuenir Ventura “o Rio há muito é uma cidade partida”. Eu diria mais: o Rio é uma bomba relógio acionada se não pensarmos a segurança pública como questão estratégica.

Alguém precisa ter coragem de “extrair o veneno” no “laboratório”. E acredito, sinceramente, que isso precisa ser discutido de forma transparente para não parecer que a solução do combate à violência e “extração do veneno no laboratório” seja um acordo não republicano, maculado com a hipocrisia da famosa “política do enxuga gelo” aplicada no Rio de Janeiro. Alguém precisa se expor, propor, abrir tal debate de forma republicana antes que uma bala perdida seja interpretada  como algo “normal” na zona sul do Rio de Janeiro como já é visto no subúrbio e na periferia.

 

*Advogado Criminalista. Especialista em Feminicídio. Presidente da Comissão de Segurança Publica da ABRACRIM RJ. Presidente do Diretório Estadual São Paulo do Partido da Mulher Brasileira (PMB).

 

 

 

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