Mudança na Lei Maria da Penha amplia proteção a mulheres 

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A MARGINALIZAÇÃO INSTITUCIONAL COMO FORMA DE CUMPRIMENTO DE PENA.

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Estamos vivendo tempos difíceis e a população no geral entende que a melhor forma de se livrar de um criminoso é o encarceramento.

Propostas absurdas são discutidas com o objetivo de fazer com que o cárcere seja um ambiente de solidão, mitigação de contato com familiares e isolamento total da sociedade.

A população não compreende que a oportunidade que o estado tem de “resgatar” um criminosos do mundo do crime é quando este está sob a tutela do estado cumprindo pena.

Quando o cumprimento de pena deixa de ser uma medida de ressocialização passando a ser um estado perpétuo de isolamento tornado o apenado um “marginal por completo” é a sociedade que acaba perdendo a oportunidade de diminuir os índices de reincidência criminosa que vem constantemente aumentando no país e o consequente crescimento da população carcerária.

A sociedade e os que defendem um discurso pautado na hipocrisia esquecem que no Brasil Não existe prisão perpétua e por maior que seja a pena a ser cumprida  “a cadeia é longa e não perpetua”.

Em termos gerais, quando isolamos presos por completo, sob a tutela do estado, estamos potencializando a distância entre o estado e o apenado  esquecendo que por mais longa que seja sua pena de prisão um dia ele estará de volta ao convívio social.

Qual sentido é a pena de prisão no Brasil, ressocialização ou “marginalização institucional”?

Não adiante isolar se um dia iremos soltar!

 

Ministro do STF diz que levará em conta a segurança pública para decidir sobre volta de traficantes de presídios federais

A legitimidade está sempre no lugar de quem fala. Isto é, quando pautei tal debate expondo um posicionamento quanto à segurança pública no Rio de Janeiro não faltaram profissionais de alguns órgãos de imprensa para atacar, desqualificar o que há muito venho defendendo. O que dirão agora quando a Defensoria Pública da União pede ao STF para que os presos há mais de 2 anos em penitenciárias federais voltem a seus Estados de origem?

Ministro do STF diz que levará em conta a segurança pública para decidir sobre volta de traficantes de presídios federais

“O Estado faz acordos com a JBS, por que não fazer com o tráfico para reduzir violência?”

Gil Alessi

“O que seria melhor para a população do Rio de Janeiro: um acordo de leniência entre o Estado e a empresa JBS ou um acordo do Governo com o crime organizado para acabar com a violência?”, questiona o advogado criminalista Jaime Fusco, 41. Suas ideias para solucionar o problema da segurança pública no Estado podem soar pouco ortodoxas. Ele defende, por exemplo, a discussão sobre um programa de “desarmamento do crime”, que incluiria a “redução de pena” para criminosos que entregassem seus fuzis. “Na Colômbia foi feito [um acordo semelhante]”, afirma o advogado, referindo-se ao acordo de paz firmado pelo Governo e pelos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2016, que pôs fim a um conflito de décadas.  “Acho que é preciso propor ideias preventivas de combate à violência. Se essas ideias passam por acordos públicos e transparentes [entre o Estado e o crime organizado], eu sou favorável”, diz Fusco, que critica eventuais negociatas “por baixo dos panos”.

Nos últimos dias as ideias do advogado, que também é presidente do diretório estadual do Partido da Mulher Brasileira em São Paulo, lhe causaram problemas. Em 20 de setembro sua defesa pública sobre uma possível negociação entre Estado e crime lhe custou o cargo de presidente da comissão de Segurança Pública da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas. Suas declarações lhe colocaram sob uma chuva de críticas, tendo em vista que ele defende uma das partes envolvidas neste conflito sem fim: Fusco é advogado do traficante Antônio Bonfim Lopes, mais conhecido como Nem da Rocinha, preso em uma penitenciária federal de Roraima. Em 17 de setembro a favela da Rocinha, uma das maiores da América Latina e ex-reduto de Nem, foi invadida por integrantes da facção criminosa Amigos dos Amigos. Eles tentaram em vão tomar o controle do local, que atualmente é um domínio da facção  Comando Vermelho. De acordo com autoridades, a ordem para o ataque teria sido dada por Nem.

JF El País

O advogado Jaime Fusco, que defende o traficante conhecido como Nem da Rocinha. Raoni Maddalena

Em conversa com o EL PAÍS no seu escritório na região central de São Paulo, o advogado defendeu uma política de descriminalização das drogas e criticou a afirmação de que os traficantes se impõe apenas por medo nas comunidades: “O Estado entrar [nas favelas] dando tiro também não provoca medo? Por que o Estado está há décadas impondo o medo nas periferias e não resolveu nada?”.

Pergunta. Você acha que falta algum grau de diálogo entre o Estado e o crime organizado?

Resposta. Falta. Acho verdadeiramente que é preciso propor ideias preventivas de combate à violência. Se essas ideias eventualmente passarem por acordos públicos e transparentes [entre o Estado e criminosos], eu sou favorável. O que importa é resolver o problema. Não é dar licença para traficar: o Beltrame [José Mariano Beltrame, ex-secretário de Segurança Pública do Rio] já falava que o grande desafio dele com as UPPs [Unidades Policiais Pacificadoras] não era acabar com o tráfico, e sim acabar com os fuzis. E acho que esse é o grande desafio das autoridades no Rio. Imagina se lá as coisas fossem como em São Paulo? Estaria ótimo. Com todo respeito ao Rio.

P. Como tirar os fuzis de circulação no Rio de uma maneira que não na base do confronto?

R. Vou te dar um exemplo. Vamos supor que para resolver o problema do Rio fosse feita uma proposta transparente e pública de redução de pena para os criminosos que entregassem seus fuzis. Nesse modelo, o sujeito se dispõe a abrir mão de armas em troca de redução de pena. Você, se é um criminoso preso e condenado a 150 anos de prisão, você toparia uma acordo dessa natureza? Porque não se discute uma política de desarmamento do crime? Entrega arma e tem redução de pena. Cada fuzil dois meses… Imagina, eu acho que ia ter disputa para ver quem ia ter mais fuzil para entregar. E paralelamente a isso acho que devemos trabalhar uma política de descriminalização das drogas. Foi essa política equivocada que fez o Rio chegar onde chegou.

Soldados patrulham a favela da Rocinha.ampliar foto
Soldados patrulham a favela da Rocinha. CARL DE SOUZA AFP

P. Mas muita gente vai achar um absurdo qualquer negociação com criminosos, ainda que feita de forma transparente…

R. O que é a lei de leniência assinada por empresas na Operação Lava Jato, por exemplo? Elas reconhecem o erro e entregam dinheiro e alguns bens em troca de benefícios. É tão grave quanto [os crimes cometidos pelas empresas]. Agora pensa: qual o reflexo da Lava Jato na guerra do Rio? Nenhum. Qual o reflexo da guerra do Rio na minha vida? Muitos. O que seria melhor pra mim? Um acordo entre o Governo e o Eduardo Cunha [ex-deputado preso pela Operação] ou a JBS, ou um acordo de paz no Rio, com entrega de armas? O que seria melhor para a população? O Estado pode fazer acordos com JBS, com a Odebrecht, e não pode fazer um acordo com o tráfico em troca de redução de pena? Porque não? Eu queria propor essa discussão. Na Colômbia foi feito [um acordo assim]. Se é bom ou ruim, a gente vai saber depois. Já se tentou tudo aqui…

P. Na sua visão o grande problema do Rio seriam os homicídios e não o tráfico de drogas?

R. Sim, os homicídios frutos dessa guerra que o Estado perdeu. Fernando Henrique Cardoso [ex-presidente] já falou isso. Há quanto tempo ele disse que precisávamos repensar nossa política de enfrentamento e de guerra às drogas? A Colômbia mudou sua política de enfrentamento depois de muitas mortes.

P. Acha que seria possível um diálogo transparente entre autoridades e chefes do tráfico no Rio?

R. Enquanto existirem governantes hipócritas nunca chegaremos a isso [negociações entre as partes]. Teve uma pessoa que me falou: “daqui a pouco a gente vai ter governador financiado pelo tráfico”. Já temos governador preso! Temos presidente denunciado! Não acredito que os governantes tenham capacidade de estabelecer este diálogo, mas acredito que a sociedade que sofre essa violência pode sim tentar forçá-los a estabelecer um diálogo de paz. Com quem quer que seja. Um amigo meu falou: “Se eu tiver que me sentar com o capeta para resolver o problema do Rio, eu sento com o capeta”. Acho que esse debate tem que acontecer. Eu estou preocupado com uma solução, não com mais enfrentamento.

Um amigo meu falou: “se eu tiver que me sentar com o capeta para resolver o problema do Rio, eu sento com o capeta”

P. Mas negociar com o crime, ainda que abertamente, o Estado não estaria admitindo sua falência?

R. O Estado perdeu o controle. Ele não admite, mas perdeu o controle, infelizmente. O Estado do Rio é um Estado falido. Financeiramente, ninguém questiona isso. O Estado do Rio também é falido moralmente por causa de alguns governantes. Alguém duvida disso? Nenhuma política de segurança pública no Rio deu certo até agora. Alguém tem dúvida disso? O que precisa acontecer agora: vamos discutir. O problema é que quem mora no Rio acostumou com a falência do Estado.

P. Mas o tráfico muitas vezes impõe uma relativa paz nas comunidades pelo medo…

R. Dizem que é o medo. Mas o Estado entrar na comunidade dando tiro também não é a mesma coisa? Não provoca medo? Alguma coisa está acontecendo. Se você me responder que o segredo do sucesso de bons indicadores de violência na Rocinha quando o Antônio estava lá era o medo, então porque o Estado está há décadas impondo o medo nas periferias e não resolve? Tem algo mais ai. Algo que o Estado deveria investigar.

P. Como você analisa a situação da segurança pública no Rio?

R. Um grande acerto nos últimos anos foi o início das Unidades Policiais Pacificadoras. A sua implementação num primeiro momento estimulou muito a sociedade a discutir a questão do crime organizado. Como advogado criminalista eu vi que os marginais de um modo geral se sentiram acuados. Alguns estavam dispostos a de fato se entregar, entregar armas. Eu acho que se naquele momento o Estado, com a política que foi adotada, tivesse também investido em uma política de desarmamento do crime a situação atual seria diferente. Se quem se apresentasse espontaneamente entregando fuzis tivesse a possibilidade de redução de pena ou algum outro dispositivo legal que aproveitasse isso, acho que teríamos avançado ainda mais.

O advogado Jaime Fusco em seu escritório.ampliar foto
O advogado Jaime Fusco em seu escritório. Raoni Maddalena

P. Atualmente o modelo de UPPs passa por uma crise grave, e o problema da violência está longe de ser solucionado. Onde o Governo errou?

R. Foi um acerto inicial [a criação das UPPs], mas a continuidade foi acompanhada por uma série de erros. Com as UPPs se criou um novo tipo de criminoso, que é o criminoso que convive em constante enfrentamento com as UPPs. Coisa que não existia. Na maioria das comunidades não havia o enfrentamento com a polícia, ele [o criminoso] corria da polícia. Com a implementação das UPPs você cria uma espécie de guerrilha no tráfico, ele sabe que a presença da polícia é constante, e ai ele começou a se fortalecer como guerrilheiro. Como não foi dada continuidade aos projetos sociais que o Beltrame à época tanto queria, e que é o correto, aconteceu o que aconteceu.

P. O número de policiais mortos no Rio é assustador, mais de cem já foram assassinados este ano. Como você avalia essa questão? Tem relação com esse modelo de traficante “guerrilheiro” que você mencionou.

R. Eu acredito que não. O que está acontecendo é que houve uma pulverização do crime. Você tem áreas nos subúrbios do Rio que não tinham uma presença grande de criminosos. Com a entrada da UPP os criminosos foram para outras localidades que estavam abandonadas pelo Estado, mas ainda não estavam ocupadas pelo crime. E nestas localidades mora o policial, o bombeiro, o segurança e outros trabalhadores de classe média baixa. Pavuna, Anchieta, por exemplo, são bairros da periferia do Rio que se enquadram neste perfil. Não eram locais dominados pelo tráfico. E aí esses policiais são alvos.

P. Por que em São Paulo não temos o enfrentamento do crime com a polícia como temos no Rio?

R. Eu acho que em São Paulo [pensativo]… Em algum momento… Eu queria ter oportunidade de aprofundar este estudo. Acho que isso precisa ser estudado. Pensa assim: nunca vi cenas como as do Rio aqui. E não dá pra dizer que em São Paulo o crime não tem um poderio bélico forte. Basta ver as cenas de assalto a banco. As armas usadas são mais poderosas até do que as encontradas com traficantes no Rio. Mas em São Paulo você não tem o que tem no Rio, aquele desfile de armas, as áreas sitiadas…

P. Existe uma espécie de acomodação entre poder publico e o crime?

R. Não posso falar isso… Posso supor que… O Estado parece ser mais presente nas comunidades. Não da forma que deveria, mas mais do que no Rio. O suficiente para evitar que a região pareça abandonada sob o ponto de vista da segurança. Aqui a polícia entra com revólver, o tráfico não tem o domínio absoluto do território, aquele controle de transição, de entrada no local. O traficante pode ter o comércio da droga, mas ali é do Estado.

O Nem já falou: “Doutor, me leva pro Rio. Se botassem a gente lá, a gente não ia deixar fazerem nada”

P. Que papel um líder do tráfico preso em uma penitenciária federal pode ter na redução da violência?

R. O Antônio já falou isso várias vezes: “Doutor, se os caras [líderes do tráfico] que estão no presídio federal voltassem para o Rio, iam ser um exemplo para os outros do que é um presídio federal, e automaticamente iriam dizer [para os traficantes em liberdade]: ‘não façam nada, porque se vocês fizerem algo nós imediatamente iremos voltar pro federal”. Não é um acordo ou licença para traficar, tampouco uma mordomia. Seriam os cabeças do Rio sendo exemplo para os demais. Ele fala “doutor, me leva para o Rio. Se botassem a gente lá, a gente não ia deixar fazer nada”.

P. Mas você é contra trazer o Antônio de volta para o Rio, correto?

R. Eu defendo que ele fique longe do Rio, é uma estratégia de defesa. Se tudo que eu falo com ele é gravado em áudio e vídeo [como ocorre nos presídios federais], é uma defesa para mim que ele esteja em um presídio desses. E para ele, sob o ponto de vista das informações não verídicas que circulam sobre ele, também. Dizem que tal ordem para ataque veio de um presídio federal. Veio? Como? Existem agentes coniventes? Advogados que trazem recado? Como? Acredito que o sistema federal resolve, sou a favor dele. Desde que seja cumprida a lei de execuções penais. O cara fica lá um ano renovável por mais um ano e volta. Fez algo errado, fica lá mais um ano.

 

 

Somos todos soldados de uma “Cidade Partida”.

Eu fui soldado do exército, engraxava meu coturno, fazia a manutenção do meu fuzil, arrumava a minha cama todos os dias, cantava o hino, marchava, fazia os treinamentos, cumpria ordens e aprendi a ser de “pronto emprego”.  Eu não imaginava que um dia todo treinando seria usado a poucos quilômetros da praia, na “Cidade Partida”, em uma das maiores metrópoles do mundo a caça de pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive.

Aos soldados desta cidade partida que não moram na zona sul mas que sem fardas e sem fuzis sofrem o reflexo da violência generalizada desejo paz, aos moradores desejo paz além de desejar que o poder público se faça presente. Importante lembrar que na primeira vez que o exército foi empregado no Rio de Janeiro todos nós comemorávamos mas em especial uma pessoa dava pulos eleitorais de alegria, Sergio Cabral, o maior marginal do Rio de Janeiro.

NOTA DO INSTITUTO ANJOS DA LIBERDADE EM APOIO AO ADVOGADO JAIME FUSCO

O Instituto Anjos da Liberdade, entidade que atua no campo dos Direitos Humanos há quinze anos e congrega advogados criminalistas de todo país, vem à público manifestar-se em apoio ao advogado criminalista Jaime Fusco, que vem sofrendo ataques de diversas instituições em razão de seu ativismo em favor da paz.
As declarações do advogado foram distorcidas à serviço de da perpetuação de uma ideologia do medo na sociedade que busca legitimar uma política de segurança que tem demonstrado ser ineficaz ao fim que se destina: proteger a população.
As desastrosas estratégias de segurança publica imprimidas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro nos anos gestão de Sérgio Cabral trouxeram-nos ao caos que vemos agora. As mortes de policiais e principalmente as mortes de moradores de áreas vulneráveis são uma lamentável rotina na cidade do Rio de Janeiro.
A formação de cartéis e parcerias de diversas facções criminosas do país, gestadas no sistema penitenciário federal são a consequência de políticas públicas que não reduziram a criminalidade no Estado nem trouxeram segurança a população. Nesse contexto manutenção de presos fluminenses no sistema penitenciário federal foram um dos elementos dessa política de segurança, ao argumento de que tais presos continuariam liderando o tráfico ainda que afastados do Estado.
Não existe nada mais esquizofrênico do que dizer que embora ministrado em doses cavalares um medicamento e ele não ter produzido resultados, a solução é a continuidade de um tratamento reconhecido inócuo por quem o prescreveu.
Politica de segurança publica com derramamento de sangue de inocentes não é o que a sociedade espera.
O Instituto Anjos da Liberdade repudia ações de segurança que impliquem na vitimização de moradores de comunidades carentes que merecem o mesmo tratamento de qualquer cidadão fluminense.
A proposta trazida pelo advogado Jaime Fusco, nos moldes em que foi formulada, antes das distorções feitas por quem não tem compromisso com a verdade, é de uma lucidez esperável num cenário de diálogo comprometido, realmente com a segurança e bem-estar da população, tal como se deu em vários países do mundo, à exemplo da Colombia que superou a pior crise de segurança fazendo com que o chefe de Estado fosse inclusive reverenciado e agraciado com o prêmio Nobel da Paz.
As comunidades vulneráveis são exatamente o berço de muitos presos transferidos para o sistema penitenciário federal há muitos anos. A lei prevê que o preso permaneça lá por um ano, renovando, excepcionalmente por mais um. Houve uma distorção por parte do executivo do Rio de Janeiro, subvertendo a destinação do Sistema Penitenciário Federal. Por outro lado, existem laços dos traficantes criados com as comunidades e de solidariedade recíprocos, havidos partir da “desescravização” tardia do Brasil, que hipocritamente se tenta negar.
Diante desse cenário de injustiça ao advogado acima citado, O Instituto Anjos da Liberdade, por todos os advogados que compõem a sua diretoria, manifestam total apoio e solidariedade ao respeitável colega Jaime Fusco.

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA de Jaime Fusco

A questão da Segurança Pública é polêmica no Brasil. Em se tratando de Rio de Janeiro isso é, de fato, uma bomba relógio acionada. O que não significa que vá se “demonizar” quem pensa e expressa uma opinião diferente. Escrevo esta nota na tentativa de esclarecer minha opinião sobre  episodios que vem ocorrendo há décadas no Estado do Rio  e entrevistas que concedi à imprensa no dia 19/09:
1- É publico que enquanto advogado de Nem (Antonio Francisco Bonfim Lopes) da Rocinha, jamais defendi que voltasse ao Rio de Janeiro. Basta ver os autos do processo que tramita na vara criminal, sem segredo de justiça. Disponível para ser confirmada tal informação;
2- Em nenhum momento propus que a ABRACRIM, entidade que integro com muito orgulho enquanto advogado criminalista, fizesse a interlocução entre o crime e os órgãos do Estado. Propus sim que os integrantes desta entidade fossem ouvidos devido ao sua expertise em tal matéria. Talvez tenha me precipitado porque assumira recentemente à Diretoria de Segurança Publica da ABRACRIM-RJ e buscava apresentar propostas. Mas, deveria antes ter debatido e deliberado internamente tal questão, pois no contexto atual (guerra do tráfico na Rocinha) poderia ser mal interpretada, como de fato foi;
3- A questão da violência, principalmente urbana, é séria e compromete toda a sociedade. Daí a necessidade desta debater. Afinal, é quem sustenta a estrutura do Estado. Portanto, tem direito de opinar sobre tal temática. A violência que atravessa o Rio de Janeiro já vitimou milhares de pessoas, moradoras ou não nos Morros e Favelas, Policiais, Advogados, entre outros. A ninguém interessa a continuidade de tal conflito. Mas, é urgente e necessário que se supra a deficiência no setor de inteligência da Policia, pois as falhas na condução do processo só faz aumentar o numero de vítimas de todos os lados.
Enfim, inteligência de informação é justamente para trabalhar com cenários e analises preditiva sobre determinado problema. Sabia-se ou não da invasão da Rocinha no domingo 17? Caso sim, as Forças de Segurança/Exército não estão no Rio de Janeiro? Caso sim, por que uma força tarefa não atuou? Quem falhou na comunicação? Se as policias têm problemas de comunicação, se o governo do Estado e Governo Federal não se conversam, se o  meios de comunicação disputam a audiência de tais fatos, eles devem buscar se entender. O que não pode é desfocar a questão principal de um debate que há muito está sendo adiado. Hoje lendo algumas matérias de jornal e áudios que me chegaram percebi que houve uma inversão dos fatos: ao invés da crítica ser a crise do sistema, da comunicação entre os órgãos, etc., o “alvo” era uma posição manifestada em entrevista telefônica pela minha pessoa.
Sou advogado criminalista. E em momento algum admitirei que minha função/pessoa seja confundida com meu cliente. Ou alguém que faz assessoria de imprensa, por exemplo, para uma empresa envolvida em crime contra o patrimônio também é criminoso? Tenho compromisso com a ética da profissão, mas principalmente tenho compromisso com minha família, com o futuro de meus filhos. Em que cidade quero que eles vivam? Quero o melhor para eles, como quero para todos os moradores das favelas, aos policiais que atuam na segurança, aos colegas que atuam nas causas, à população do Rio. Portanto, não desviemos o foco do debate: o principal problema é a segurança pública, e não minha opinião. Se houve falha no que disse é inclusive porque os tempos de radio e TV não permitem o aprofundamento de determinadas posições. Tudo é muito rápido, ao vivo, para ser também rapidamente “consumido” por ouvintes, telespectadores ou leitores de tais meios.
Retomando o debate, penso que deveríamos olhar as origens de tal problemática que envolve a guerra do tráfico, não só nos Morros e Favelas do Rio, mas nos grandes centros urbanos do país. Deveríamos lembrar que o Estado brasileiro nunca atendeu as camadas mais vulneráveis da população. Estas quando estavam minimamente sendo incluídas nas políticas publicas de saúde, educação, moradia, segurança alimentar, etc. novamente estão sendo excluídas como é do conhecimento de todos. Há uma crise social decorrente de uma crise econômica e política. As estatísticas indicam que sempre que há crise econômica há também um aumento da violência. Mas, se alguém perdeu para o tráfico foi à sociedade. Seja porque o Estado não acolheu, não incluiu, não disputou efetivamente estes que estavam “à margem”. Daí serem chamados de marginais. Tema que pretendo escrever em outro momento.
Voltando ao que interessa, Boaventura de Souza Santos, no livro “O Estado, o Direito e a Questão Urbana”, 1984, fala de um Direito de Pasárgada. Foi como chamou a Favela da Rocinha. O resultado de seus estudos empíricos em tal favela mostrou que os conflitos de propriedade da terra, eram resolvidos por líderes comunitários, resolvidos localmente, e sem a presença do Estado, graças a ineficiência e distanciamento deste para com tais populações. Este é o foco do debate: como desenvolver políticas capazes de incluir, por exemplo, pela cultura e educação como faz o Afroreggae, para começarmos a mudar o presente de crianças, jovens e moradores das periferias, morros e favelas Brasil a fora?  Como devem ser as políticas de segurança pública dado que se conhecem os grupos envolvidos em tal processo? É aí que ressalto a importância do papel do advogado, mais especificamente dos criminalistas, contribuindo para construção de propostas capazes de recolocar o “trem nos trilhos” e trazer a paz para toda a sociedade, não somente à Carioca.
Tenho um compromisso com a verdade. Tenho princípios. Sempre manifestei minhas opiniões a cerca dos problemas sociais. E diferente do que disseram alguns comentaristas, não estou falando sozinho. Há muitos que têm opinião sobre tal questão, há muitos que querem fazer tal debate. O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já demonstrou o impacto social que as drogas causam na sociedade. Daí que defende sua descriminalização. Ontem mesmo no programa de Pedro Bial uma das entrevistadas também falou da descriminalização das drogas. Enfim, não podemos viver de Tabus. Há temas que a sociedade tem que discutir e os meios de comunicação têm um papel importante nesse processo. Talvez o contexto em que concedi tais entrevistas deu ênfase ou efeito exponencial a um debate que exigiria mais tempo para aprofundamento. Mas, de qualquer modo, o debate foi pautado. A vida tem seus descaminhos. Oxalá, todos consigamos encontrar o melhor para tal crise de segurança pública no Rio, e no Brasil como um todo.
Jaime Fusco
Advogado Criminalista
21/09/2017